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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Kelvin: «Tenho de trabalhar bem para corresponder quando for chamado»



Kelvin tem desaparecido dos radares no FC Porto, atuando apenas ao serviço da equipa B sem ser opção para Julen Lopetegui. Um cenário que tem vindo a agravar-se, na perspetiva do avançado, desde que se tornou no herói do campeonato 2012/13.

"Depois do golo [ao Benfica], as coisas mudaram. Chegou outro treinador (Paulo Fonseca), com outros jogadores. Continuei com o meu trabalho, cheguei confiante para a temporada, mas o treinador disse-me que tinha as opções dele e também que estava a ser injusto comigo. Procurei jogar na equipa B para estar preparado quando tivesse oportunidade no conjunto principal, mas isso não aconteceu muito", lamentou o avançado, numa conferência de imprensa em Cuiabá, onde se encontra ao serviço da seleção olímpica do Brasil.

Admitindo estar surpreendido com a atual condição no FC Porto e revelando que a direção não o deixou sair, Kelvin acrescenta que tudo o que mais deseja é poder jogar mais vezes. "Não posso dizer que estou feliz nem triste. O FC Porto é um grande clube, todos sabem disso, estou feliz por ser jogador deste clube. Mas não fico muito feliz por não ter espaço lá. Todos querem jogar, fazer golos, mas isso não está a acontecer comigo", confidenciou, rematando: "Estou à procura de soluções para jogar e crescer na vida."


Desaparecido... sem combate: se o atual momento da carreira de Kelvin passasse a filme, este seria certamente um nome a ter em conta. “O nosso treinador está a mudar muito a equipa e, também por isso, esperava ter mais oportunidades”, confessou o extremo, ele que, juntamente com Ricardo, Opare, Campaña e Otávio, está no restrito lote de jogadores do plantel principal que ainda não somaram qualquer minuto de competição na equipa A.

O extremo, de 21 anos, herói do último campeonato ganho pelo FCPorto, nunca perspetivou passar por isto, mas garante que vai continuar a aplicar-se nos jogos da equipa B “para poder corresponder” quando for chamado a jogar na principal. “É muito difícil, é mesmo complicado, porque treinamo-nos com um grupo mas depois não jogamos com ele. Ficamos um pouco fora de ritmo”, explicou Kelvin, garantindo que esta situação não está a desgastá-lo psicologicamente: “Isto não é fácil de gerir, mas estou com a cabeça boa, concentrado no meu trabalho e à espera de uma oportunidade.”

Conforto técnico

Perante essa garantia, Kelvin nega qualquer tipo de conflito com Lopetegui e até diz que compreende as opções do treinador. “Ele já me disse para continuar a treinar-me, disse que gosta muito do meu trabalho, e eu respeito as opções dele, porque a nossa equipa é muito forte, tem muita qualidade, jogadores de seleção. Por isso tenho de trabalhar bem para corresponder quando for chamado”, vincou o brasileiro.

Nesta conversa com os jornalistas, que decorreu anteontem, no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, de onde partiu para se juntar à seleção olímpica do Brasil, Kelvin explicou que, depois do famoso golo que apontou ao Benfica, nunca sonhou que iria passar por isto no FC Porto: “Não tinha tido muitas oportunidades naquela época, mas provei que podiam contar comigo. Na época seguinte vim mais confiante, infelizmente o treinador não me utilizou. Agora estou nesta situação, mas com a cabeça boa para tentar afirmar-me rapidamente, seja no FC Porto ou noutro clube.”

Brasil atento mesmo sem jogar

Kelvin foi convocado para representar a seleção olímpica do Brasil e isso deixou-o “muito feliz”, apesar de não estar a jogar na equipa principal do FCPorto. Por isso “não esperava esta chamada”, embora estivesse a preparar-se “para ver essa hora chegar”. Agora vai “procurar corresponder da melhor forma”. Kelvin soube da novidade a seguir ao jogo da equipa B com o Olhanense: “Tinha acabado de tomar banho e deram-me a notícia. No início não me caiu a ficha, mas depois acreditei, fiquei feliz e comemorei com os meus companheiros.”

Quis sair

“É muito tempo à espera, já procurei sair, mas as coisas não deram certo... Tenho de manter a paciência”, desabafou Kelvin sobre a sua situação no FC Porto, confirmando depois a notícia avançada por Record no dia seguinte ao do fecho do mercado no verão: “Estava de malas feitas para o Évian, mas recebi uma chamada a dizer que já não ia. Depois chegou uma proposta da Académica, mas veio muito tarde e não era interessante. Fiquei aqui, não tinha outra saída”. Kelvin, de resto, ainda evocou Iturbe como um exemplo a seguir.


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