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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Rui Jorge: e o treinador do Futuro (artigo de Manuel Sérgio) 


Convivi e com alguns cheguei a fazer amizade, com um número bem razoável de jogadores e de treinadores de futebol, desde 1964, o ano em que o Dr. Vale Guimarães me convidou para sub-diretor (e chefe de redação e redator e repórter, etc., etc.) do jornal «Os Belenenses».

Não esqueço Mário Wilson, como treinador dos ´azuis´ de Belém e professor da Escola de Educação Física de Lisboa; nem José Maria Pedroto, sempre de curiosidade desperta, procurando no David Monge da Silva e em mim a informação que ele pensava escassear-lhe; e o Fernando Vaz, que sendo ´agente do futebol´ e jornalista não considerava a literatura coisa supérflua e dialogava comigo mais sobre temas literários do que sobre a técnica e a tática, no futebol. Nunca encontrei no futebol (não me refiro a jornalistas) um homem de tão sôfrega vontade de respirar o hálito embriagante de um texto de um bom autor, como o Fernando Vaz (ao contrário de José Maria Pedroto que fazia do futebol o seu tema favorito). Aqui muito à puridade posso adiantar que, assim como o engenheiro Ângelo Correia diz, com muita simpatia, que fui eu que o ensinei a ler Fernando Pessoa, o Fernando Vaz, se vivo fosse, não esconderia também que fui eu a primeira pessoa que o aconselhou a deliciar-se com a poesia do Manuel Alegre, recitando-lhe (se bem me lembro) esta quadra que sei de cor: “Que o poema seja microfone e fale / uma noite destas de repente às três e tal / para que a lua estoire e o sono estale / e a gente acorde finalmente em Portugal”. Receio que, pelos meus breves e pobres comentários, não possa transluzir sequer o valor profissional e ético de Fernando Vaz, de Mário Wilson e de José Maria Pedroto, como “homens do futebol”. Os três seriam, hoje, também, treinadores exemplares. Em capacidade, engenho e saber, iguais aos melhores que o mundo atual publicita...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

«O pensamento ético contemporâneo e o Desporto»

(artigo de Manuel Sérgio )


Professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana e Provedor para a Ética no Desporto:

Segundo Anthony Giddens, no seu livro As Consequências da Modernidade, o que caracteriza o nosso tempo é a sua descontinuidade, em relação às épocas anteriores. As transformações na tecnociência, na filosofia, nos modos de vida, nas mentalidades; a globalização do economicismo neo-liberal, bem expressa numa alta competição sem freios; o ciberespaço, como novo espaço do saber; confundir felicidade com a posse exclusiva de bens materiais: não deixam a este respeito um rasto de dúvida. No entanto, segundo Rawls, uma das “experiências fundamentais” da modernidade é a existência do fact of pluralism, ou seja, a existência de uma incomensurável pluralidade de valores, que reduz a cinzas qualquer unicidade normativa. Por isso, Habermas faz resultar a moral das condições e pressupostos da deliberação democrática, como se nela ressaltassem, límpidas, a dimensão moral, a ética e a pragmática, quero eu dizer: a complementaridade entre o direito e a moral.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

«O Desporto em que eu acredito»

(artigo de Manuel Sérgio)


Professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana e Provedor para a Ética no Desporto.

Também concorre ao aperfeiçoamento das características físico-motoras de todas as idades e de cada um dos sexos. Nada esquece na motricidade humana, sob o ponto de vista articular, muscular, funcional. Pretende dar ao praticante força, velocidade, “endurance”, resistência, impulsão, coordenação, etc., etc. No entanto, não se limita a fazer “bestas esplêndidas”, ou mesmo “animais racionais”, com uma impecável condição física. É mais ambicioso: quer ser um factor de enriquecimento da sociedade e da cultura, porque reivindica desenvolvimento para todos; porque aposta na formação permanente dos cidadãos, com equidade absoluta; porque se afasta do “panem et circenses” das turbas massificadas e quer ser um meio de o ser humano se exercitar no exercício da liberdade e da solidariedade. No meu modesto entender, o direito de igualdade de tratamento, no acesso à formação e à educação, motoras, deve ter prioridade sobre o direito ao desporto altamente competitivo.