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terça-feira, 26 de agosto de 2014

LC (play-off): FC Porto-Lille, 2-0 (crónica)

Uma história escrita por Brahimi


Yacine Brahimi não tem paciência nem feitio para lidar com bloqueios criativos. Iluminado por Alá e abençoado com um pé direito sagrado, o argelino olhou o céu e indicou o traço dos milhões. O FC Porto volta a estar na Liga dos Campeões.

A complacência dos dragões para com o Lille, um adversário limitado, barrou tempo em excesso uma definição que se julgava simples e imediata.

Incapaz de gerir os tempos de jogo e a hesitar de forma assustadora na primeira fase de construção, o FC Porto foi salvo – não é exagero – pelo génio do argelino.

Um livre direto transformado com a excelência dos maiores e um passe a deixar Jackson olhos nos olhos com o golo – muito boa a finalização do colombiano – deram ao resultado uma segurança aparente e incoerente com o antes e o depois destas duas ações.

É justo acrescentar, aliás, que o FC Porto recebeu a primeira grande notícia de 2014/15 (mais de oito milhões de euros nos cofres) na pior exibição coletiva da época.

O essencial, lá está, foi conseguido, mas a análise deve ser mais profunda e rigorosa.

Onde falhou o FC Porto até Brahimi assumir o controlo do argumento e, qual ghost writer, escrever a solo uma história que não devia ser sua?

Antes de mais, na confrangedora capacidade de perceber o que fazer com a bola. Fabiano tocava em Martins Indi, o central (mais tarde lateral, com a lesão de Reyes) esperava, tocava no lateral e recebia para… voltar trás.

É o tal bloqueio criativo a que nos referíamos. O FC Porto olhava a folha em branco, angustiado, a nada lhe saía. Impotência total na conjugação de uma receção com um passe vertical, um drible com um cruzamento perfeito, uma transição com o foco em Enyeama.

Pernas pesadas? Ansiedade? Incompreensão dos planos de Julen Lopetegui?

Surpreendido com a dor do adversário, sem ter uma participação direta na mesma, o Lille soltou-se. Apercebeu-se da crise do dragão e cresceu até onde as suas faculdades lhe permitiram.

Valeu ao FC Porto o jogo superior de Yacine Brahimi, o menino de pés de veludo, e a boa solidez do processo defensivo – terceiro jogo seguido sem sofrer golo – para garantir uma qualificação, seja como for, mais do que justa.

Tudo o resto (o acessório?) foi limitado pela fragilidade em conseguir escrever o conto perfeito pelo seu próprio punho.

Não houve Quaresma uma vez mais (suplente não utilizado), mas houve um Brahimi que começa a entusiasmar a exigente tribuna do Dragão. O argelino é um compêndio de fantasia e brilhantismo. Com ele em campo, não há bloqueio criativo que perdure.  


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