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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Diogo Viana: a ambição do Gil, o mercado aberto e o sonho inglês

Extremo acredita que clube «pode fazer um grande campeonato»


A época passada assinalou a estreia de Diogo Viana no principal escalão do futebol português. A passagem pelo Porto apenas permitiu que o jogador, agora com 24 anos, jogasse na Taça da Liga. Em Barcelos, Diogo Viana atuou em 32 jogos com a camisola do Gil Vicente e apontou cinco golos, quatro dos quais na I Liga.
 
O algarvio sente-se feliz no Minho e elogia o presidente António Fiúza. «Sinto-me muito bem em Barcelos, é um clube bastante profissional, que tem um projeto muito ambicioso, é um clube que cumpre com as suas obrigações, o que é raro hoje em dia no futebol português. O presidente é uma pessoa que dá tudo o que tem por este clube, não nos deixa faltar nada. É muito gratificante estar num clube que é profissional em tudo o que faz», refere Diogo Viana em entrevista ao Maisfutebol.
 

O extremo direito do Gil diz que na cidade dos «Galos» está tudo a postos para o arranque da época, já no próximo sábado com a receção ao V.Guimarães: «Temos mais soluções no meio campo e na parte ofensiva da equipa, acredito que possamos fazer um grande campeonato. Estamos prontos para iniciar a época que se avizinha. Espero que tenhamos menos lesões, para conseguir a manutenção o mais rapidamente possível e fazer um campeonato tranquilo».
 
«Ainda é possível sair»
 
Para conseguir a manutenção, Diogo Viana considera João de Deus o treinador certo no lugar certo, e augura uma carreira repleta de êxitos ao técnico: «João de Deus é um treinador muito bom, tem qualidade para vingar no futebol português e internacional. Tem as suas ideias muito estipuladas, é ambicioso e sabe bem aquilo que quer. Sabe puxar os jogadores para o seu lado, e tem tudo para vingar. Na primeira fase do campeonato passado viu-se isso, depois a equipa foi-se abaixo. Tem tudo para ter sucesso no Gil Vicente e para ir mais além».
 
Um dos jogadores mais cobiçados do plantel do Gil Vicente, na última época Diogo Viana foi várias vezes assediado para mudar de ares. A saída ainda pode registar-se neste mercado de transferências, mas apenas se aparecer uma proposta que agrade a todas as partes.
 
«Até dia 31 de agosto tudo é possível, desde que apareça uma proposta que agrade a todas as partes, claro que ainda é possível sair. Neste momento não penso nisso porque estou contratualmente ligado ao Gil Vicente, renovei em dezembro, e só sairia daqui se houvesse algo que me agradasse a mim, ao presidente e ao clube. Se assim não for, não deixarei o Gil Vicente e não sairei daqui» assume o jogador que chegou a Barcelos no início da época passada proveniente do Penafiel.
 
«É complicado ir à seleção estando no Gil Vicente»
 
Aos 24 anos, e depois de deixar para trás um início de carreira tão prometedor quanto atribulado, Diogo Viana tem ainda metas para cumprir. Para já no Gil Vicente, quem sabe, depois noutros campeonatos de maior nomeada.
 
«Tenho as mesmas expectativas do ano passado, que passam por jogar e fazer um campeonato recheado de assistências e de golos para ajudar a equipa ganhar todos os jogos, que é para isso que vamos à luta. Se não melhor, pelo menos espero fazer um campeonato igual ao do ano passado», atira o camisola número 7 do Gil Vicente.
 
Internacional português nas camadas jovens, o sonho de voltar a vestir a camisola das quinas é algo que Diogo Viana assume, mas garante que é um sonho que tem os pés bem assentes no chão: «Claro que é um sonho de qualquer jogador, sem dúvida alguma, mas tenho os pés bem assentes no chão e sei que é bastante complicado chegar à seleção portuguesa estando eu no Gil Vicente. A menos que faça um campeonato excecional. Não me preocupo com isso».
 
Os olhos de Diogo Viana atingem outro brilho quando se toca noutro assunto. Aí sim, o jogador do Gil Vicente, mais maduro, volta a sonhar como o menino que deixou Lagos para se aventurar pelos recantos do futebol. «Para mim a melhor liga do mundo é a inglesa, e um dia sonho jogar lá», remata o jogador. 


Diogo Viana em entrevista: de Lagos às lágrimas em Alcochete

Feliz em Barcelos, avançado atravessa melhor momento da carreira

Diogo Viana, extremo de 24 anos, parte para a segunda época ao serviço do Gil Vicente. Antiga promessa de Sporting e FC Porto, procura em Barcelos a rampa de lançamento que lhe permita alcançar novos voos. Voos para os quais já teve asas, mas não foi capaz de atingir a altitude desejada para chegar verdadeiramente a voar.

Entre Lagos, de onde é natural, e Barcelos a história do jogador do Gil Vicente mete uma troca com Hélder Postiga e a estreia com a camisola do FC Porto ainda com idade de júnior, com apenas 18 anos. Depois disso seguiu-se uma aventura pela Holanda e duas experiências no segundo escalão do futebol português.

O Maisfutebol falou com o menino que chorava nos primeiros dias em que esteve na Academia do Sporting, em Alcochete, e que tem o sonho de jogar no campeonato inglês. Entre outros assuntos, Diogo Viana fala sobre a falta de aproveitamento dos jovens portugueses, a sua experiência no Sporting e no FC Porto, e ainda sobre o Gil Vicente.

«Sempre tive o sonho de ser jogador de futebol»

Comecemos pelo princípio e pelos primeiros pontapés na bola. Diogo Viana recorda que começou a jogar futebol por influência do pai. «Desde muito cedo tive o sonho de ser jogador de futebol, ainda era um miúdo, aos sete anos o meu pai pôs-me a jogar futebol, que era o que eu queria e o que gostava de fazer. Desde que me inseri no futebol, a jogar, a treinar, a competição, sempre tive o sonho de ser jogador de futebol», assume o atacante revelando o sonho de ser jogador profissional, cultivado desde tenra idade.

De entre uma família apaixonada por futebol, Diogo Viana é o parente bafejado com maior dose de talento. Pelo menos até agora; o pai jogou nos escalões secundários, nos juniores do Portimonense desponta o irmão do jogador do Gil Vicente: «O meu pai foi jogador, mas nada de profissional, chegou a jogar na II Divisão B, mas nada de muito sério. Tenho um irmão, João Viana, nos juniores do Portimonense, que tem muito potencial e pode vir a dar um grande jogador de futebol».

O salto maior da vida de Diogo Filipe Guerreiro Viana deu-se aos dez anos, quando um grande de Lisboa, o Sporting, o levou para a capital em busca do sonho da bola. «Tudo começou no Esperança de Lagos, depois fui para o Sporting com dez anos, onde estive sete anos. Ao princípio foi muito difícil: tinha apenas dez anos, era o menino da mamã e foi doloroso, lembro-me de chorar nos primeiros dias. Mas depois começamos todos a apoiar-nos uns aos outros, eramos cinquenta na Academia e eles passaram a ser a minha família», conta ao nosso jornal.

«Jogar na Holanda foi uma das melhores experiências da minha vida»

O potencial demonstrado nas camadas jovens foi enorme, ao ponto de se transferir para o FC Porto ainda com idade de júnior. Internacional pelas seleções jovens de Portugal, foi nos três anos em que esteve ligado aos azuis e brancos que a sua carreira teve maior efervescência.

Nesse período representou durante época e meia o Venlo, da Holanda. Uma experiência enriquecedora: «Foi uma experiência bastante boa, na primeira época fizemos um bom campeonato e eu fiz bastantes jogos. Tanto que no ano seguinte, depois de fazer a pré-época com o mister Vilas Boas, o clube holandês quis-me novamente por empréstimo. Era um clube que apostava muito em mim, e foi uma experiência muito boa. Infelizmente no segundo ano tive uma lesão. Foi sem dúvida uma das melhores experiências da minha vida».

Depois da Holanda seguiram-se duas passagens pela II Liga, no D. Aves e no Penafiel, até que o Gil Vicente lhe abriu novamente as portas da primeira divisão. Diogo Viana considera que atravessa atualmente o melhor momento da carreira: «Estatisticamente fiz uma grande época no ano passado, bem ou mal, o Gil Vicente conseguiu o seu principal objetivo, que era ficar na I Liga. Estou muito feliz, é o melhor momento da minha carreira. O ano passado e o primeiro ano na Holanda terão sido os principais picos da minha carreira». 

 

Diogo Viana: a troca por Postiga e as oportunidades para os portugueses

«Há demasiada qualidade em Portugal para não ser aproveitada»  

Sete anos de leão ao peito, nas equipas de formação do Sporting conferiam a Diogo Viana esperanças de atingir o ambicionado sonho de se tornar profissional no mundo do futebol. Havia-se mudado do modesto Esperança de Lagos para o Sporting, mas a sua vida haveria de dar mais uma volta gigantesca.
 
Ainda nos escalões de formação transferiu-se para o FC Porto, que cedeu aos leões o avançado internacional Hélder Postiga. «Fui o melhor jogador do Torneio de Lisboa de sub-18, os responsáveis do FC Porto estavam a ver o torneio e ficaram bastante interessados na minha contratação. Perguntaram ao Sporting em que condições podiam contar comigo, e na altura o Paulo Bento era o treinador principal do Sporting e avalizou a troca do Hélder Postiga por mim», contou em entrevista ao Maisfutebol.
 
Mudança surpreendente, o FC Porto dava um avançado com tarimba e com créditos firmados e levava Diogo Viana. Os sonhos do menino de Lagos pintavam-se agora em tons de azul e branco. Sonhos que ganharam contornos de realidade ainda nos juniores, quando Jesualdo Ferreira o lançou no dia 8 de janeiro de 2009. O extremo jogou 17 minutos na vitória do Porto sobre o V.Setúbal, a contar para a Taça da Liga.
 
«Se estivesse no Sporting talvez chegasse à equipa principal»
 
A verdade é que depois de quatro jogos disputados na equipa principal, todos na Taça da Liga, não mais teve oportunidade de voltar a vestir a camisola azul e branca. Tornou-se profissional, é certo, mas seguiram-se empréstimos ao Venlo, Holanda, e ao Desportivo das Aves.
 
A estreia foi precipitada? Diogo Viana é mais um dos casos de desaproveitamento dos jovens portugueses? «É muito difícil responder a isso. Estreei-me como profissional aos 18 anos na equipa do FC Porto, e a partir de dezembro passei a integrar os quadros da equipa principal. Treinava com eles todos os dias, joguei quatro jogos e a realidade é que o porto deu-me as oportunidades necessárias. Depois no primeiro ano de sénior o Porto emprestou-me à primeira divisão holandesa, que é um grande campeonato, é difícil dizer isso», explica o extremo.
 
Diogo Viana reagiu com sorrisos à pergunta seguinte. E se tivesse ficado no Sporting? A história teria sido diferente? «É complicado. Quando o Sporting teve aquela grande crise financeira, em que teve de apostar na formação, como fez no passado, se calhar se estivesse lá era possível chegar a fazer parte da equipa principal do Sporting. Mas, tendo o Porto dado as oportunidades que deu, e eu jogando na equipa principal com 18 anos é complicado dizer que teria mais oportunidades no Sporting», atesta o jogador de 24 anos.
 
«Gil Vicente mostra que os jovens portugueses têm qualidade»

 
Diogo Viana não considera o seu caso propriamente como um exemplo, até porque acredita que teve oportunidades para vingar. Ainda assim, o algarvio concorda com a teoria de que os jovens portugueses são mal aproveitados.
 
«Sou dessa opinião, é claramente verdade. Acho que em Portugal há demasiada qualidade para não ser aproveitada, para depois se ir buscar a mesma qualidade ou até menor ao estrangeiro. Os jogadores sempre que vão a campeonatos do mundo ou campeonatos da europa, fazem grandes prestações e são assediados por todo o mundo. Aqui em Portugal os clubes já os têm e não apostam neles, é um bocado ingrato. Nós que estamos por fora e somos jovens, é um bocado ingrato ver isto. Espero que isso mude», refere o jogador do Gil ao nosso jornal.
 
Ainda sobre este tema, o jogador destaca a política adotada no Gil Vicente, considerando o clube que representa como um exemplo: «O projeto do Gil Vicente mostra que os jovens portugueses têm qualidade. É um projeto que passa pelo treinador e pela aposta em jovens jogadores portugueses. Acredito que o Gil Vicente seja uma montra para isso mesmo, para mostrar que há qualidade nos jogadores portugueses. É um projeto bem conseguido».
 
Para jogar no Gil Vicente, Diogo Viana recusou uma proposta dos italianos do Parma. Apesar de achar o convite gratificante, as experiências do passado levaram o jogador a ponderar melhor o seguimento a dar à sua carreira: «Fui para um clube grande ainda muito novo, com dez anos. Já tinha estado no estrangeiro, tinha apenas quatro jogos pelo Porto quando tinha 18 anos e decidi arriscar a minha chance na I Liga portuguesa. Foi isso que me passou pela cabeça. A experiência ajudou-me a decidir. Estou feliz e Barcelos».  

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